23-03-2026, 04:56 PM
(Este post foi modificado pela última vez em: 23-03-2026, 05:27 PM por lonzcore.)
Eu não sei necas de pitibiribas sobre poética. Estou removido de qualquer discurso ou conhecimento teórico sobre a arte. @tevito tens alguma recomendação de material acadêmico, artigo ou ensaio que dê uma boa introdução?
Isso não quer dizer que eu não aprecio um bom poema, muito pelo contrário. Tem esse do Richard Brautigan que eu gosto muito, e que aparece volta e meia em discussões sobre ecologia maquínica.
All Watched Over By Machines of Loving Grace
I like to think (and
the sooner the better!)
of a cybernetic meadow
where mammals and computers
live together in mutually
programming harmony
like pure water
touching clear sky.
I like to think
(right now, please!)
of a cybernetic forest
filled with pines and electronics
where deer stroll peacefully
past computers
as if they were flowers
with spinning blossoms.
I like to think
(it has to be!)
of a cybernetic ecology
where we are free of our labors
and joined back to nature,
returned to our mammal
brothers and sisters,
and all watched over
by machines of loving grace.
___
Eu gosto desse poema porque ele é muito evocativo. O Brautigan pinta uma imagem na sua cabeça, um mundo esplendoroso e bucólico formado através da relação harmoniosa entre humanidade, natureza e tecnologia. Considere que esse poema foi escrito ali em volta de 1960, quando a computação, a cibernética, eram novidades revolucionárias que muitas pessoas viam com muito otimismo -- um sentimento muito similar, se não idêntico, àquele expresso por alguns grupos durante o advento da Internet e, hoje em dia, a IA. O pulo do gato, pra mim, é que o autor traz esse otimismo aliado a um compromisso com a ecologia e com o bem-estar da humanidade a partir da libertação do trabalho. A tecnologia surge para despir a humanidade do seu uniforme de trabalho e reinserí-la junto às matas, bosques e pradarias com o resto da Criação. Uma espécie de pré-milenarismo tecnológico. Talvez não seja uma utopia possível ou inteiramente desejável, mas é um horizonte de possibilidade que parece perdido. É muito difícil discutir o avanço tecnológico hoje em dia sem pensar no estrago absurdo (e crescente) que infligimos em nós mesmos e no mundo ao redor nessa busca pelo próximo boi de silício. Tecnologia avançada, sozinha, não irá nos salvar.
Isso não quer dizer que eu não aprecio um bom poema, muito pelo contrário. Tem esse do Richard Brautigan que eu gosto muito, e que aparece volta e meia em discussões sobre ecologia maquínica.
All Watched Over By Machines of Loving Grace
I like to think (and
the sooner the better!)
of a cybernetic meadow
where mammals and computers
live together in mutually
programming harmony
like pure water
touching clear sky.
I like to think
(right now, please!)
of a cybernetic forest
filled with pines and electronics
where deer stroll peacefully
past computers
as if they were flowers
with spinning blossoms.
I like to think
(it has to be!)
of a cybernetic ecology
where we are free of our labors
and joined back to nature,
returned to our mammal
brothers and sisters,
and all watched over
by machines of loving grace.
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Eu gosto desse poema porque ele é muito evocativo. O Brautigan pinta uma imagem na sua cabeça, um mundo esplendoroso e bucólico formado através da relação harmoniosa entre humanidade, natureza e tecnologia. Considere que esse poema foi escrito ali em volta de 1960, quando a computação, a cibernética, eram novidades revolucionárias que muitas pessoas viam com muito otimismo -- um sentimento muito similar, se não idêntico, àquele expresso por alguns grupos durante o advento da Internet e, hoje em dia, a IA. O pulo do gato, pra mim, é que o autor traz esse otimismo aliado a um compromisso com a ecologia e com o bem-estar da humanidade a partir da libertação do trabalho. A tecnologia surge para despir a humanidade do seu uniforme de trabalho e reinserí-la junto às matas, bosques e pradarias com o resto da Criação. Uma espécie de pré-milenarismo tecnológico. Talvez não seja uma utopia possível ou inteiramente desejável, mas é um horizonte de possibilidade que parece perdido. É muito difícil discutir o avanço tecnológico hoje em dia sem pensar no estrago absurdo (e crescente) que infligimos em nós mesmos e no mundo ao redor nessa busca pelo próximo boi de silício. Tecnologia avançada, sozinha, não irá nos salvar.
E digo mais!

